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A Máquina Inteligente

24 JUL
Inteligência Artificial
LSD Insights
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Ao longo dos últimos anos, tenho acompanhado a evolução da inteligência artificial entre a engenharia, o digital e o impacto real nas pessoas. O momento atual é diferente de todos os anteriores: a IA saiu dos laboratórios e entrou no quotidiano. Já não se trata de antecipar o futuro, mas de compreender o que está a mudar agora.

“Dave Bowman: Open the pod bay doors please, HAL. Open the pod bay doors please, HAL. Hello, HAL. Do you read me? Hello, HAL. Do you read me? Do you read me HAL? Do you read me HAL? Hello, HAL, do you read me? Hello, HAL, do you read me? Do you read me, HAL?
HAL: Affirmative, Dave. I read you.
Dave Bowman: Open the pod bay doors, HAL.
HAL: I`m sorry, Dave. I`m afraid I can`t do that.
Dave Bowman: What`s the problem?
HAL: I think you know what the problem is just as well as I do.
Dave Bowman: What are you talking about, HAL?
HAL: This mission is too important for me to allow you to jeopardize it.
Dave Bowman: I don`t know what you`re talking about, HAL.
HAL: I know that you and Frank were planning to disconnect me, and I`m afraid that`s something I cannot allow to happen. Dave Bowman: [feigning ignorance] Where the hell did you get that idea, HAL?
HAL: Dave, although you took very thorough precautions in the pod against my hearing you, I could see your lips move.“

Este diálogo famoso é do filme 2001 - Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick, de 1968, quando HAL, o supercomputador inteligente, luta pela sua sobrevivência — a necessidade básica de qualquer ser inteligente.

Na realidade, o início da inteligência artificial (IA) tinha acontecido pouco tempo antes, nos anos 50, quando um grupo de cientistas iniciou a primeira vaga da IA. Desde então, já passámos por vários ciclos, também designados de primaveras e invernos da IA, mas foi sempre uma área com dificuldade em sair do laboratório para o público em geral.

A IA começou por entrar nos meios empresariais, com aplicações que percebiam quais os produtos mais indicados para estarem lado a lado nas prateleiras dos supermercados, ou capazes de prever que clientes iriam mudar de operadora. Entretanto, com a era dos smartphones e dos assistentes pessoais, a IA ganhou nova vida, sobretudo no processamento de linguagem natural.

"Este momento aparenta ser mais uma primavera da IA, mas desta vez massificou-se e chegou ao público em geral."

Entretanto, a OpenAI, fundada em 2015 com a missão de desenvolver IA genérica, segura e benéfica, lançou em 2022 o que hoje designamos de ChatGPT.

Este momento aparenta ser mais uma primavera da IA — um tempo de grandes desenvolvimentos, investimentos e discussão sobre o seu impacto — mas com uma diferença fundamental: desta vez, massificou-se e chegou ao público em geral.

Estes modelos de IA generativa vieram mostrar ao mundo que as máquinas podem ser inteligentes — não uma inteligência humana, mas uma inteligência baseada na informação disponível na internet para “aprender”.

Também chamados de LLM (large language models), estes modelos conseguem conversar, responder a perguntas, analisar textos e fazer resumos, através de uma complexa capacidade de prever a palavra mais provável a cada momento.

"As máquinas podem ser inteligentes,
mas não como nós."

Um dos receios instalados está relacionado com o medo de sermos dominados pela IA. Creio estarmos ainda longe desse cenário. Torna-se mais urgente concentrar esforços nas alterações significativas ao nível do trabalho, da educação e do consumo de informação que já estão a acontecer.

É necessário educar para a utilização destas ferramentas. A velocidade a que estes modelos evoluem permite prever que estamos apenas nos primórdios da sua aplicação.

"Não podemos deixar de nos preocupar
com a inteligência humana."

Devemos estar atentos ao desenvolvimento da IA, mas não podemos deixar de nos preocupar com a inteligência humana. António Dias de Figueiredo, investigador e pioneiro da engenharia informática em Portugal, referiu acerca dos perigos da IA:

“A inteligência artificial já chegou, mas não é a dos algoritmos e dos modelos de linguagem. É a dos humanos, que vivem em florestas de cimento, acreditando que é natural, dos veículos apocalípticos em que se deslocam, das linguagens de signos artificiais e grotescos em que se exprimem, dos sentimentos artificiais que exibem, dos avatares por que se fazem passar, dos problemas artificiais que inventam para ocuparem os média, das lágrimas que vertem por heróis artificiais, da indiferença para com os heróis reais.”

A transição para uma economia baseada em IA não será pacífica — mas alguma vez uma transição de paradigma foi pacífica?

"A transição para uma economia baseada em IA não será pacífica."

Os seres inteligentes ainda somos nós — e a uma grande distância das máquinas. Seremos tão mais inteligentes quanto mais conseguirmos que a máquina se desenvolva com o propósito de criar uma melhor sociedade.

Já hoje temos as ferramentas para resolver muitos dos problemas mundiais. É uma questão de vontade.



Sobre Humberto Neves

É professor do curso de Web Design & Digital Communication na LSD - Lisbon School of Design em Lisboa. Fundador da Ardozia, startup na área da literacia digital para a infância, desenvolve produtos de literatura digital, jogos didáticos e serviços educativos na área da robótica e pensamento computacional..

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